Aproveitem o ente querido antes que seja tarde demais
Meu nome é Bruno, e a coisa mais cara que eu dei de presente pro meu pai foi o jazigo aonde ele repousa… antes disso eu nunca havia comprado um ÚNICO presente de aniversário pra ele…
Nossa convivência sempre foi muito dificil, nossa familia bagunçada e dos avessos. Muita mágoa, ressentimento mútuo, ninguém nunca ligou muito pra ninguém. E como meu Pai era triste com isso… ele sempre quis me levar pra ver o bairro aonde ele nasceu, e nós nunca fomos. E o pior de tudo é que eu nem me lembro do nome do bairro, sempre ouvia o que ele tinha a dizer com um descaso enorme.
Hoje eu pesco os resquicios do que ele tentava me dizer, e vejo a sabedoria que ele destilava pra minha cabeça absorver, e as poucas vezes que eu era tomado por uma lucidez de querer ouvi-lo, eramos duramente repreendidos pela minha mãe, e ele de mãos atadas pela vergonha dos erros do passado, nada fazia. Eram situações tristes… se ao invés de me focar na raiva que eu ficava dele pela sua fraqueza eu me focasse em contrariar essa imbecilidade por parte dos meus pais…
Nunca fui à uma praia com ele, nunca partilhamos um por-do-sol, nunca caminhei com ele por ai só pra jogar conversa fora e ver a vida passar, nunca joguei truco com ele… só disse uma vez “eu te amo pai”. Um dia antes dele falecer, minha mãe me ligou e pediu pra mim ir logo cedo visita-lo que os médicos ja não davam muitas horas de vida pra ele. Eu fui, foi um dos dias mais tristes da minha vida quando eu vi meu pai deitado naquela maca e me veio a triste realidade de que ele estava partindo. Deitei no peito dele e supliquei que ele acordasse pra que eu pudesse me despedir, pra que ele me visse uma ultima vez, mas nada, fiquei alguns minutos e me despedi, precisava trabalhar.
No dia que ele iria falecer, minha mãe me liga lá pelas 8 da manhã, chorando absurdos, e me fala que ele tinha acordado e tava me chamando. Eu fui la, ver meu pai vivo pela última vez, dizer que amava ele antes dele partir. Eu não sei explicar mas depois disso as lembranças ficam meio bagunçadas na cabeça, só lembro das vezes que eu chorei, mas o restante das coisas tão meio apagadas na minha cabeça, sei la, perguntei essa semana pra minha mãe quanto tempo faz que meu pai faleceu, e ja esqueci de novo, minha mente fica apagando essas coisas…
A coisa que eu mais me arrependo na minha vida é de nunca ter curtido o meu Pai, nunca ter tido a noção do quanto ele era importante até que ele se foi. Sabe a frase “só da valor quando perde!”? Pois eu aprendi o QUANTO FAZER ISSO É ERRADO da pior forma possivel.
NUNCA DEIXEM A VIDA PRA DEPOIS. Nunca levou seu Pai ou sua Mãe pra tomar um café na sua padaria preferida, ou uma cerveja naquele barzinho que você curte? Seu Pai ama pescar e você nunca foi por que “é coisa de velho!”? Não deixe pra depois, pq PODE SIM, SER TARDE DEMAIS! Converse mais com eles, ouça mais o que eles tem a dizer, mesmo que seja aquela história velha e carcomida do tempo em que ele trabalhava em tal lugar, ou do dia em que ele fez aquele algo, não importa, VALORIZEM SEUS PAIS, POR QUE UM DIA ELES VÃO MORRER! E ai, como você vai fazer pra recuperar o tempo perdido?

Fernanda Reis disse:
21 de November de 2011 às 19:17
Infelizmente só damos valor quando perdemos, é verdade, mas o mais importante é que você teve tempo de dizer a ele que você o amava, tenho certeza que fazendo “só” isso, ele foi em paz e feliz por ter dado tempo de se despedir de vc.. antes tarde do que nunca! parabens pela iniciativa
katia castro alvernaz disse:
21 de November de 2011 às 20:41
Oi Bruno, me emocionei com seu depoimento.se me permite dizer,tente não se magoar pelo fato de não ter dado a atenção que gostaria ao seu pai, sei como é isso, pois tenho um pai ausente,nós fazemos o que damos conta e nem sempre o que no fundo nós gostaríamos. Além disso, só voce sabe os motivos aí dentro pra que fosse assim.O que importa é que teve mesmo tempo pra mostrar a ele seu amor. A gente sempre aprende algo com a nossa dor. Fique em paz!